Por trás de praticamente tudo que você usa na internet — bancos, jogos online, servidores, aplicativos e até planilhas corporativas — existe um universo enorme de linguagens de programação trabalhando silenciosamente. Algumas nasceram há mais de 50 anos e continuam sustentando sistemas críticos, enquanto outras surgiram recentemente e já estão moldando o futuro da tecnologia.
Nesta segunda parte, você vai conhecer linguagens que vão desde as mais invisíveis e essenciais até as que estão ganhando espaço em áreas como computação científica, apps multiplataforma e sistemas distribuídos.
Bash (Shell Script): a automação invisível da internet
O Bash (Shell Script) é a linguagem dos bastidores. Criada para automatizar tarefas em sistemas Unix e Linux, ela permite instalar softwares, copiar arquivos, configurar servidores e executar rotinas complexas com poucos comandos.
Profissionais de infraestrutura, segurança e DevOps utilizam Bash diariamente para criar pipelines de automação e realizar deploys. Plataformas em nuvem como Amazon Web Services e Google Cloud dependem fortemente de scripts para provisionar ambientes em segundos.
Mesmo simples, dominar Bash pode transformar um servidor vazio em um ambiente completo com extrema rapidez.
Dart: a base do desenvolvimento multiplataforma moderno
Criada pelo Google, a linguagem Dart é a base do framework Flutter, permitindo criar apps Android, iOS, web e desktop com um único código.
Empresas como Alibaba Group e BMW já utilizam Dart em aplicativos oficiais, demonstrando a maturidade do ecossistema.
Além do mobile, Dart vem crescendo também no backend, tornando-se uma opção moderna, rápida e fácil de aprender para quem deseja produtividade sem abrir mão de performance.
Lua: a linguagem brasileira que conquistou o mundo
A Lua nasceu na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e se tornou uma das linguagens mais leves e eficientes já criadas.
Ela é amplamente utilizada em jogos como World of Warcraft e Angry Birds, além de automações e sistemas embarcados.
Seu maior diferencial é a leveza: a linguagem pode rodar praticamente em qualquer dispositivo e integrar-se facilmente com outras tecnologias.
Haskell: a elegância da programação funcional
Haskell é considerada uma das linguagens mais puras da programação funcional. Muito usada em pesquisas, sistemas financeiros e projetos que exigem alta confiabilidade, ela incentiva um pensamento matemático e previsível.
Empresas de blockchain e sistemas críticos adotam Haskell justamente pela ausência de efeitos colaterais e pela previsibilidade do código.
Aprender Haskell é menos sobre produtividade imediata e mais sobre desenvolver uma nova forma de pensar programação.
Elixir: sistemas sempre online e escaláveis
Elixir foi projetada para lidar com sistemas altamente concorrentes e disponíveis 24 horas por dia. Plataformas de comunicação como WhatsApp e Discord utilizam tecnologias inspiradas nesse modelo para suportar milhões de conexões simultâneas.
Sua sintaxe amigável e a robustez herdada da máquina virtual Erlang tornam o Elixir uma excelente escolha para aplicações em tempo real.
Erlang: o avô dos sistemas distribuídos modernos
Criada pela Ericsson, Erlang nasceu para lidar com redes telefônicas e sistemas que não podem falhar.
Seu maior diferencial é a tolerância a falhas e a capacidade de autocorreção. Muitos conceitos modernos de microsserviços e arquiteturas resilientes surgiram a partir da filosofia Erlang.
É a linguagem que foi feita para nunca desligar.
VBA: a automação corporativa que nunca morreu
Se você já criou macros no Excel, então já programou em VBA. Integrada ao Microsoft Office, a linguagem é extremamente popular no ambiente corporativo.
Bancos, seguradoras e órgãos públicos utilizam VBA há décadas para automatizar relatórios, integrar planilhas e reduzir tarefas repetitivas.
Mesmo fora dos holofotes, VBA continua sendo uma das linguagens mais usadas dentro de empresas.
Objective-C: a base histórica do ecossistema Apple
Antes do Swift, o desenvolvimento para iPhone e Mac era dominado pelo Objective-C dentro do ecossistema da Apple.
Apesar de sua sintaxe mais complexa, a linguagem foi essencial para o sucesso inicial do iOS e do macOS e ainda é usada na manutenção de projetos legados.
Julia: desempenho extremo para ciência e dados
Julia surgiu com a proposta de unir a velocidade de linguagens compiladas com a simplicidade do Python.
Hoje, ela é usada em machine learning, simulações científicas e análise de dados de alta performance, tornando-se uma favorita entre pesquisadores e engenheiros.
Sua capacidade de executar cálculos complexos sem dependências externas é um dos fatores que impulsionam sua adoção.
COBOL: a linguagem que movimenta o dinheiro do planeta
Criada em 1959, COBOL ainda processa trilhões de dólares diariamente em sistemas bancários e governamentais.
Mesmo antiga, sua estabilidade é tão alta que muitos sistemas financeiros continuam rodando código escrito há mais de 40 anos.
A escassez de programadores COBOL mantém a demanda alta e reforça que tecnologia antiga não significa obsolescência.
Fortran: a origem da programação científica
Fortran foi a primeira linguagem de alto nível amplamente utilizada e ainda está presente em simulações científicas e pesquisas avançadas, inclusive em projetos da NASA.
Ela introduziu conceitos fundamentais como loops, funções e compiladores otimizados, influenciando praticamente todas as linguagens modernas.
Conclusão: o futuro da programação mistura passado e inovação

O universo da programação não é feito apenas de linguagens populares. Muitas das tecnologias que sustentam a internet, bancos e sistemas críticos são baseadas em linguagens antigas e altamente estáveis.
Ao mesmo tempo, novas linguagens continuam surgindo para resolver desafios modernos como escalabilidade, computação científica e desenvolvimento multiplataforma.
Entender esse equilíbrio entre tradição e inovação é o que realmente amplia a visão de qualquer profissional de tecnologia.







