Você já percebeu que o Wi-Fi da sua casa às vezes é rápido, às vezes fica lento e, em alguns momentos, simplesmente para de funcionar — mesmo com a fatura paga em dia? Pois é. Em muitos casos, o problema não está no provedor, mas sim na geração do Wi-Fi que o seu roteador utiliza.
A verdade é que o Wi-Fi evoluiu ao longo de décadas. Cada versão trouxe melhorias em velocidade, alcance, estabilidade e capacidade de lidar com múltiplos dispositivos. Algumas foram revolucionárias. Outras apenas corrigiram limitações anteriores.
Neste guia completo, você vai entender a evolução do Wi-Fi 1 ao Wi-Fi 7, descobrir as diferenças entre 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz, e saber quando realmente vale a pena trocar o roteador.
Wi-Fi 1 (802.11b): o início da internet sem fio
O Wi-Fi 1 (802.11b) surgiu em 1999 e marcou o começo da internet sem fio. Ele operava na frequência de 2,4 GHz e atingia velocidades de até 11 Mb/s.
Na prática, isso era suficiente para navegar na web e enviar e-mails. No entanto, havia um grande problema: a frequência de 2,4 GHz já era utilizada por outros dispositivos, como telefones sem fio, micro-ondas e Bluetooth. Como resultado, interferências eram comuns.
Além disso, a rede não conseguia lidar bem com múltiplos usuários. Se duas pessoas tentassem usar ao mesmo tempo, a conexão ficava extremamente lenta. Por esse motivo, muitos ainda preferiam a conexão cabeada.
Wi-Fi 2 (802.11a): mais velocidade, menos alcance
Também lançado em 1999, o Wi-Fi 2 (802.11a) trouxe uma mudança importante: passou a operar na frequência de 5 GHz.
Com isso, as velocidades subiram para até 54 Mb/s e as interferências diminuíram. Entretanto, surgiu outro desafio: quanto maior a frequência, menor o alcance do sinal.
Assim, o Wi-Fi 2 funcionava melhor em ambientes corporativos ou locais menores, onde a distância entre roteador e dispositivos era curta.
Wi-Fi 3 (802.11g): o Wi-Fi se populariza
O Wi-Fi 3 (802.11g) combinou o melhor das duas gerações anteriores. Ele operava em 2,4 GHz, mas alcançava velocidades de até 54 Mb/s.
Esse equilíbrio entre alcance e velocidade foi o ponto de virada para o Wi-Fi doméstico. A partir daí, roteadores começaram a se tornar comuns nas residências.
Finalmente, o Wi-Fi deixou de ser um “luxo tecnológico” e passou a ser algo esperado em qualquer casa moderna.
Wi-Fi 4 (802.11n): nasce o dual band e o MIMO
O Wi-Fi 4 (802.11n) foi lançado em 2009 e trouxe duas grandes inovações: dual band e MIMO (Multiple Input Multiple Output).
Com o dual band, o roteador passou a transmitir simultaneamente em 2,4 GHz e 5 GHz. Isso permitiu escolher entre maior alcance (2,4 GHz) ou maior velocidade (5 GHz).
Já o MIMO possibilitou o envio de múltiplos fluxos de dados ao mesmo tempo. Antes disso, os roteadores transmitiam um fluxo por vez, gerando atrasos.
Como resultado, as velocidades chegaram a até 600 Mb/s. Foi aqui que o Wi-Fi começou a dar um salto real em desempenho.
Wi-Fi 5 (802.11ac): a era do gigabit e do MU-MIMO
Lançado em 2013, o Wi-Fi 5 (802.11ac) foi a primeira geração a atingir velocidades na casa dos gigabits, podendo chegar a 3,5 Gb/s.
Ele trouxe o MU-MIMO (Multi-User MIMO), permitindo que vários dispositivos recebessem dados simultaneamente. Ou seja, múltiplos usuários podiam assistir streaming, baixar jogos e fazer videochamadas sem congestionamento.
Outra inovação importante foi o beamforming, tecnologia que direciona o sinal diretamente ao dispositivo, tornando a conexão mais estável.
Nesse momento, o gargalo passou a ser o plano de internet contratado — e não mais o Wi-Fi.
Wi-Fi 6 (802.11ax): eficiência e baixa latência
O Wi-Fi 6 (802.11ax), lançado em 2019, foi projetado para ambientes com muitos dispositivos conectados.
Sua principal inovação é o OFDMA (Orthogonal Frequency Division Multiple Access), que melhora a eficiência na distribuição de dados entre vários aparelhos.
Ele pode atingir até 9,6 Gb/s e trabalha com até oito fluxos simultâneos. Por isso, é ideal para:
- Jogos online competitivos
- Chamadas de vídeo
- Ambientes com muitos dispositivos
- Casas com IoT (smart home)
Além disso, o Wi-Fi 6 reduziu significativamente a latência, tornando a experiência mais fluida.
Wi-Fi 6E: a chegada da frequência 6 GHz
O Wi-Fi 6E expandiu o Wi-Fi 6 ao adicionar a frequência de 6 GHz.
Essa nova faixa é menos congestionada e ideal para ambientes corporativos ou locais com muitas redes sobrepostas. No entanto, apenas dispositivos mais recentes são compatíveis.
Muitos roteadores Wi-Fi 6E fazem parte de sistemas Mesh, que utilizam múltiplos pontos para criar uma rede única e ampla, garantindo melhor cobertura.
Wi-Fi 7 (802.11be): o futuro da conectividade
O Wi-Fi 7 (802.11be), lançado em 2024, é atualmente a geração mais avançada disponível para consumidores.
Ele pode alcançar velocidades de até 46 Gb/s e introduziu o MLO (Multi-Link Operation), que permite utilizar múltiplas frequências simultaneamente.
Além disso, conta com multi puncturing, tecnologia que evita quedas completas de conexão ao contornar interferências.
O Wi-Fi 7 é ideal para:
- Realidade virtual e aumentada
- Streaming em altíssima resolução
- Aplicações com latência mínima
- Gamers e entusiastas de tecnologia
Entretanto, para a maioria das pessoas, o Wi-Fi 5 ou Wi-Fi 6 ainda é mais do que suficiente.
Vale a pena trocar o roteador?

Depende.
Se você ainda usa Wi-Fi 4 ou anterior, a troca pode trazer ganhos reais de velocidade e estabilidade. Porém, se já possui Wi-Fi 5 ou Wi-Fi 6, talvez o limite esteja no seu plano de internet — e não no roteador.
Além disso, fatores como:
- Posição do roteador
- Número de dispositivos conectados
- Interferências
- Estrutura da casa
também impactam diretamente no desempenho.
Conclusão: qual geração escolher em 2026?
Se você quer custo-benefício, o Wi-Fi 6 é atualmente a melhor escolha para a maioria das residências.
Já o Wi-Fi 7 é uma aposta no futuro. Ele ainda é caro, mas está preparado para as próximas demandas tecnológicas.Entender as gerações do Wi-Fi ajuda a evitar gastos desnecessários e melhora significativamente sua experiência com a internet.





