Claude AI decifra esquema pós-quântico e acelera ataque ao AES: avanços impressionantes na criptografia

Claude

A inteligência artificial continua redefinindo os limites da pesquisa científica. Desta vez, a Anthropic anunciou que o Claude AI, por meio do modelo experimental Mythos Preview, conseguiu desenvolver dois importantes avanços em criptoanálise: um ataque de recuperação de chave contra o esquema pós-quântico HAWK-256 e uma otimização significativa em um ataque ao AES-128 reduzido para sete rodadas.

Embora as descobertas tenham chamado atenção da comunidade acadêmica, a empresa reforçou que não existe impacto imediato sobre sistemas de produção, tampouco necessidade de alterar implementações atuais do AES ou do HAWK utilizados em ambientes reais.

Mesmo assim, o estudo representa um marco para a segurança da informação, demonstrando como modelos avançados de IA podem acelerar pesquisas extremamente complexas em criptografia.


O que o Claude AI descobriu?

Segundo a Anthropic, o Mythos Preview trabalhou de maneira praticamente autônoma durante aproximadamente 60 horas em um ambiente multiagente, recebendo dos pesquisadores apenas direcionamentos gerais, recursos computacionais e posterior validação dos resultados.

O projeto resultou em duas descobertas principais:

  • recuperação de chave do HAWK-256;
  • aceleração entre 200 e 800 vezes de um ataque conhecido ao AES-128 de sete rodadas.

Apesar da repercussão, ambos permanecem ataques altamente experimentais.


Comparativo dos resultados obtidos

CaracterísticaHAWK-256AES-128 (7 rodadas)
Tipo de ataqueRecuperação de chaveAtaque Meet-in-the-Middle otimizado
Aplicação práticaApenas parâmetro de desafioApenas versão reduzida do AES
Sistemas reais afetadosNãoNão
Necessidade de atualizaçãoNãoNão
Estado atualPesquisa acadêmicaPesquisa acadêmica

Como funciona o ataque ao HAWK-256?

O HAWK é um dos candidatos analisados pelo NIST durante o processo de padronização da criptografia pós-quântica.

Seu objetivo é oferecer assinaturas digitais resistentes a computadores quânticos.

O Claude AI identificou uma simetria matemática que anteriormente não havia sido explorada.

Essa simetria reduz significativamente a complexidade do problema de recuperação da chave.

O que mudou?

Anteriormente, o fator de trabalho esperado era aproximadamente:

  • 2⁶⁴ operações.

Com o novo método:

  • aproximadamente 2³⁸ operações.

Embora pareça uma redução enorme, isso não significa que o HAWK foi quebrado.

O ataque continua sendo exponencial e permanece inviável para os parâmetros de segurança utilizados pelo NIST.


Como a IA encontrou essa vulnerabilidade?

Os pesquisadores explicam que o modelo descobriu um automorfismo adicional presente na estrutura matemática do esquema.

Essa propriedade permitiu construir uma rede τ-cocíclica utilizada durante o ataque.

Na prática, o processo envolve:

H4 – Etapas principais

  • construção da rede matemática;
  • redução do reticulado;
  • peneiramento para encontrar vetores curtos;
  • reconstrução da chave funcional.

O resultado final produz uma chave equivalente capaz de assinar mensagens, embora não recupere exatamente a chave secreta original.


O que é o HAWK?

O HAWK é um algoritmo baseado em reticulados (lattices), considerado um dos caminhos mais promissores para a criptografia resistente à computação quântica.

Ele integra os candidatos analisados pelo NIST para substituir algoritmos tradicionais vulneráveis a computadores quânticos.

Parâmetros do HAWK

ParâmetroObjetivo
HAWK-256Desafio de criptoanálise
HAWK-512Segurança NIST
HAWK-1024Segurança elevada

O ataque divulgado pelo Claude AI funciona apenas contra o HAWK-256.

Os parâmetros HAWK-512 e HAWK-1024 continuam considerados seguros dentro das estimativas atuais.


O ataque ao AES também evoluiu

O segundo trabalho chamou ainda mais atenção da comunidade criptográfica.

O Claude AI conseguiu acelerar significativamente um ataque conhecido ao AES-128 reduzido para sete rodadas.

É importante destacar que o AES-128 completo possui dez rodadas.

Os pesquisadores trabalharam apenas sobre uma versão reduzida utilizada em estudos acadêmicos para medir margens de segurança.


O que mudou no ataque?

Ataques Meet-in-the-Middle normalmente precisam testar 256 possibilidades durante uma etapa intermediária.

O modelo desenvolveu uma nova técnica denominada:

Ponte de Möbius

Essa impressão digital matemática elimina completamente essa etapa.

Como consequência:

  • redução significativa do tempo computacional;
  • aceleração estimada entre 200 e 800 vezes;
  • otimização do ataque existente.

Mesmo assim, continua sendo um ataque completamente impraticável.


Por que ele ainda não ameaça o AES?

Embora os números impressionem, existe um requisito praticamente impossível.

O ataque exige aproximadamente:

2¹⁰⁵ textos simples escolhidos.

Nenhum sistema real consegue fornecer esse volume de dados sob as condições exigidas pelo ataque.

Além disso:

  • aplica-se apenas ao AES reduzido;
  • não recupera diretamente chaves do AES completo;
  • não compromete implementações comerciais.

Por esse motivo, especialistas afirmam que não há necessidade de alterar bibliotecas criptográficas.


Comparação entre o AES real e o ataque divulgado

CaracterísticaAES ComercialAtaque da Anthropic
Número de rodadas107
Aplicação práticaSimNão
Viável no mundo realSimNão
Requer alteração de softwareNãoNão
Impacto na indústriaNenhum até o momentoPesquisa científica

A importância para a segurança da informação

Mesmo sem comprometer sistemas reais, o trabalho possui enorme relevância para a segurança da informação.

Historicamente, avanços em criptoanálise ajudam pesquisadores a compreender melhor os limites dos algoritmos criptográficos.

Eles também permitem:

  • fortalecer futuras versões dos algoritmos;
  • validar margens de segurança;
  • corrigir possíveis fraquezas antes da adoção em larga escala.

Em outras palavras, encontrar vulnerabilidades durante a fase de pesquisa é exatamente o objetivo da comunidade criptográfica.


Inteligência Artificial como pesquisadora

Talvez o aspecto mais impressionante da pesquisa seja o papel desempenhado pelo Claude AI.

Segundo a Anthropic, o modelo inicialmente recusou a tarefa por acreditar que seria impossível melhorar o ataque existente.

Após novas interações dos pesquisadores, o sistema continuou explorando possibilidades até encontrar uma solução inédita.

O projeto consumiu aproximadamente:

  • 1 bilhão de tokens;
  • cerca de US$ 100 mil em utilização de API;
  • centenas de horas de validação humana.

Curiosamente, o maior custo não foi computacional.

A verificação matemática dos resultados levou quase um mês para dois pesquisadores especializados.


Benchmark reforça evolução da IA

Poucos dias antes dessa divulgação, pesquisadores publicaram o CryptanalysisBench.

O benchmark reúne 191 desafios criptográficos utilizados para avaliar modelos de IA.

Os resultados mostraram que diferentes modelos conseguiram resolver entre 65% e 86% dos problemas mais simples.

O Mythos 5 — evolução do Mythos Preview — foi um dos modelos avaliados, demonstrando avanços significativos na aplicação da IA à criptografia.

Esse cenário indica que ferramentas de inteligência artificial poderão acelerar futuras pesquisas em segurança da informação, principalmente em áreas altamente matemáticas.


O NIST deve alterar o HAWK?

Até o momento, não.

O HAWK permanece listado pelo NIST como candidato da terceira rodada do processo de padronização.

Também não há confirmação de mudanças:

  • nos parâmetros;
  • nas estimativas oficiais de segurança;
  • no processo de seleção.

Os próprios pesquisadores enfatizam que a redução na complexidade não representa uma quebra completa do algoritmo.


O que muda para empresas?

Na prática, praticamente nada.

Organizações que utilizam AES ou acompanham a evolução da criptografia pós-quântica não precisam realizar alterações imediatas.

Ainda assim, o estudo serve como alerta para acompanhar continuamente pesquisas acadêmicas.

A evolução da inteligência artificial tende a acelerar descobertas em diversas áreas da criptografia.

Isso reforça a importância de investimentos constantes em segurança da informação, auditorias criptográficas e atualização tecnológica.


Conclusão

O anúncio da Anthropic representa um dos estudos mais interessantes de 2026 envolvendo inteligência artificial aplicada à criptografia. O Claude AI demonstrou capacidade de colaborar em pesquisas altamente especializadas, encontrando uma nova abordagem para recuperar chaves do HAWK-256 e acelerando significativamente um ataque experimental ao AES-128 reduzido.

Apesar do impacto científico, não existe risco imediato para sistemas comerciais. Tanto o HAWK em seus parâmetros oficiais quanto o AES-128 completo permanecem seguros para uso em ambientes de produção. O verdadeiro destaque está no potencial da IA para transformar a pesquisa criptográfica, permitindo descobrir padrões matemáticos complexos em um ritmo antes inimaginável.

À medida que essas tecnologias evoluem, acompanhar sua influência sobre a segurança da informação será fundamental para governos, empresas e pesquisadores que trabalham no desenvolvimento da próxima geração de algoritmos criptográficos.

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Luis Paulo

Me chamo Luis Paulo sou apaixonado por tecnologia e Inteligência Artificial, sou formado em Redes de Computadores pós graduado em Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Possuo varias certificação na área de tecnologia, compartilho ideias, curiosidade, conhecimentos e insigths do mundo digital. Para informações ao meu respeito acesse minha pagina do meu LinKedin.