Grupo ligado à Rússia combina malware e IA para atacar a Ucrânia: como a inteligência artificial está transformando a guerra cibernética

malware e IA

O uso de inteligência artificial em operações ofensivas está mudando rapidamente o cenário global de ameaças digitais. Um exemplo recente envolve o grupo GreyVibe, associado a interesses russos, que vem conduzindo campanhas avançadas contra organizações ucranianas desde pelo menos agosto de 2025. A combinação entre malware e IA tem permitido que os ataques sejam mais rápidos, sofisticados e difíceis de detectar.

Segundo pesquisadores da empresa WithSecure, o grupo utiliza ferramentas de inteligência artificial generativa para automatizar diversas etapas dos ataques cibernéticos, incluindo a criação de campanhas de phishing, desenvolvimento de sites falsos e geração de códigos maliciosos.

O caso demonstra como a evolução tecnológica pode ser explorada por agentes maliciosos, trazendo novos desafios para profissionais de segurança da informação, governos e empresas em todo o mundo.


O que é o grupo GreyVibe?

O GreyVibe é um grupo de ameaças cibernéticas identificado pela WithSecure durante investigações sobre campanhas direcionadas à Ucrânia. Embora ainda não tenha sido oficialmente vinculado a grupos russos já conhecidos, diversos indícios apontam para uma conexão com interesses estratégicos da Rússia.

As operações observadas atingem diferentes setores considerados críticos para a infraestrutura do país, incluindo:

  • Organizações militares;
  • Entidades governamentais;
  • Empresas privadas;
  • Instituições civis;
  • Organizações relacionadas ao apoio à Ucrânia.

O diferencial do grupo está na utilização intensiva de malware e IA para ampliar a eficiência de suas operações.


Como a inteligência artificial está sendo utilizada nos ataques

A inteligência artificial generativa tem sido incorporada ao arsenal de diversos grupos de ameaças nos últimos anos. No caso do GreyVibe, pesquisadores identificaram o uso de plataformas amplamente conhecidas para automatizar tarefas que antes exigiam mais tempo e conhecimento técnico.

Ferramentas de IA utilizadas

Entre as soluções mencionadas na investigação estão:

  • ChatGPT;
  • Google Gemini;
  • Ideogram AI.

Essas ferramentas são empregadas para diversas finalidades durante o ciclo de ataque.

Criação de campanhas de phishing mais convincentes

Uma das aplicações mais preocupantes da IA é a produção de mensagens de phishing altamente realistas.

Com a ajuda da inteligência artificial, criminosos conseguem:

  • Criar e-mails sem erros gramaticais;
  • Adaptar mensagens para diferentes públicos;
  • Simular comunicações oficiais;
  • Traduzir conteúdos para diversos idiomas.

Isso aumenta significativamente as chances de que vítimas cliquem em links maliciosos ou forneçam credenciais de acesso.


Desenvolvimento de sites falsos em larga escala

Outro aspecto observado pelos pesquisadores é o uso da IA para criar páginas falsas que imitam portais legítimos.

Como funciona a técnica

Os atacantes utilizam inteligência artificial para:

  1. Copiar elementos visuais de sites oficiais;
  2. Gerar textos convincentes;
  3. Criar formulários fraudulentos;
  4. Hospedar rapidamente múltiplas versões dos portais.

Essa abordagem permite a coleta de credenciais e informações sensíveis em grande escala.

A combinação entre malware e IA torna esse processo extremamente eficiente e reduz o esforço necessário para manter campanhas ativas por longos períodos.


Geração de código malicioso com auxílio da IA

A inteligência artificial também está sendo utilizada para acelerar o desenvolvimento de ferramentas maliciosas.

Embora modelos de IA possuam mecanismos de segurança, criminosos frequentemente encontram maneiras de contornar restrições e obter auxílio para:

  • Automatizar scripts;
  • Criar rotinas de coleta de dados;
  • Corrigir erros de programação;
  • Desenvolver componentes de malware.

Essa capacidade reduz barreiras técnicas e permite que grupos criminosos adaptem rapidamente suas ferramentas conforme novas necessidades surgem.


PhantomRelay: o malware utilizado contra computadores

Entre as ameaças identificadas pela WithSecure está o PhantomRelay, um RAT (Remote Access Trojan) desenvolvido em PowerShell.

O que é um RAT?

Um RAT é um tipo de malware que oferece controle remoto sobre o dispositivo infectado.

Após a infecção, o atacante pode:

  • Executar comandos;
  • Coletar informações do sistema;
  • Instalar novos programas;
  • Manipular arquivos;
  • Monitorar atividades do usuário.

Capacidades do PhantomRelay

Segundo a investigação, o PhantomRelay possui recursos avançados, incluindo:

Execução remota de comandos

O malware permite que operadores enviem instruções diretamente para a máquina comprometida.

Carregamento dinâmico de scripts

Novas funcionalidades podem ser adicionadas sem necessidade de reinstalar o malware.

Coleta de informações

O programa reúne dados detalhados sobre o sistema operacional, configurações da máquina e ambiente da vítima.

Essas características tornam o PhantomRelay uma ferramenta poderosa para operações de espionagem cibernética.


Ataques contra dispositivos Android

Os pesquisadores também observaram atividades voltadas para dispositivos móveis.

Nesse cenário, o grupo empregou o spyware Android conhecido como FallSpy.

O que é o FallSpy?

O FallSpy é uma ferramenta de espionagem criada para dispositivos Android. Seu objetivo principal é coletar informações da vítima de forma silenciosa.

Campanhas identificadas

O spyware foi observado em operações denominadas:

  • PrincessClub;
  • Nebo.

Essas campanhas tinham como foco a obtenção de informações estratégicas relacionadas aos alvos.


Principais recursos do spyware móvel

O FallSpy apresenta diversas funcionalidades voltadas para monitoramento e espionagem.

Roubo de arquivos

O malware consegue acessar documentos armazenados no dispositivo e enviá-los aos operadores.

Coleta de credenciais

Senhas e informações de autenticação podem ser capturadas para posterior utilização.

Rastreamento de localização

O spyware monitora a posição geográfica da vítima utilizando recursos do próprio smartphone.

Acesso a dados de comunicação

Mensagens, registros de chamadas e outros dados sensíveis podem ser coletados sem o conhecimento do usuário.

A utilização conjunta de malware e IA torna essas operações ainda mais eficazes, ampliando o alcance das campanhas.


O impacto para a segurança da informação

O caso GreyVibe demonstra uma tendência crescente no cenário global de ameaças: a integração entre inteligência artificial e operações cibernéticas ofensivas.

Para profissionais de segurança da informação, essa mudança representa um novo desafio.

Ataques mais rápidos

A IA reduz significativamente o tempo necessário para planejar e executar campanhas.

Personalização em escala

Mensagens fraudulentas podem ser adaptadas automaticamente para milhares de vítimas.

Evolução constante

Ferramentas maliciosas podem ser atualizadas rapidamente para evitar mecanismos de detecção.

Maior sofisticação

Os ataques tornam-se mais difíceis de identificar, principalmente quando utilizam conteúdo gerado por inteligência artificial.


Como organizações podem se proteger

Diante desse cenário, empresas e órgãos governamentais precisam fortalecer suas estratégias de defesa.

Investir em conscientização

Treinamentos frequentes ajudam colaboradores a identificar tentativas de phishing e engenharia social.

Implementar autenticação multifator

A autenticação em múltiplos fatores reduz os riscos associados ao roubo de credenciais.

Atualizar sistemas regularmente

Correções de segurança diminuem a superfície de ataque disponível para criminosos.

Monitorar ameaças continuamente

Ferramentas modernas de detecção e resposta são essenciais para identificar atividades suspeitas rapidamente.

Fortalecer políticas de segurança da informação

Uma estratégia robusta de segurança da informação permite responder de forma mais eficiente às ameaças emergentes.


Conclusão

O surgimento de grupos como o GreyVibe evidencia uma nova fase da guerra cibernética. A combinação entre malware e IA está transformando a forma como ataques são planejados, executados e escalados. Ao utilizar inteligência artificial para criar campanhas de phishing, desenvolver códigos maliciosos e automatizar operações de espionagem, os criminosos conseguem aumentar significativamente sua eficiência.

Para empresas, governos e profissionais de segurança da informação, compreender essa evolução é fundamental. O avanço da inteligência artificial oferece inúmeras oportunidades legítimas, mas também cria novos desafios de proteção digital que exigem investimentos contínuos em tecnologia, monitoramento e capacitação.

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Luis Paulo

Me chamo Luis Paulo sou apaixonado por tecnologia e Inteligência Artificial, sou formado em Redes de Computadores pós graduado em Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Possuo varias certificação na área de tecnologia, compartilho ideias, curiosidade, conhecimentos e insigths do mundo digital. Para informações ao meu respeito acesse minha pagina do meu LinKedin.